Representatividade: a importância de ser reconhecido

 

A representatividade é um tema extremamente atual, que olha para a forma como as pessoas são reconhecidas e retratadas na sociedade. Isto envolve o racismo, as reivindicações indígenas, o movimento feminista, os direitos LGBTQIA+, o estigma social da obesidade, a intolerância religiosa, as pessoas com necessidades especiais e todas as questões relacionadas às minorias sociais.

Embora muitos não sejam minorias em quantidade, o são em representação. Na prática, são grupos que não estão devidamente representados na sociedade como deveriam, seja no espaço público, na política, nas artes, na mídia, em cargos de maior poder ou em prestígio social, entre outros.

A representatividade não é só um direito do cidadão, mas também uma longa luta por reconhecimento e por reparos de discriminações e de sofrimento psíquico vivenciado ao longo de décadas. Ela tem como fator a construção da subjetividade e da identidade tanto dos grupos, quanto dos indivíduos que integram esses grupos.

“A representatividade é vital. Sem ela, a borboleta, rodeada por um grupo de mariposas, incapaz de ver a si mesma, vai continuar tentando ser mariposa” (Rupi Kaur).

Sob este viés, quando uma mulher como a Kamala Harris, filha de pais imigrantes (mãe indiana-americana e pai jamaicano), aos 56 anos, foi apenas a quarta mulher a integrar uma chapa presidencial de um grande partido nos EUA — e a única mulher negra a fazê-lo, permite-se criar, na subjetividade, a identidade feminina de que outras mulheres também podem chegar lá, em relação à conquista de seus sonhos. Ou seja, evidencia-se que não há obstáculo que não possa ser superado.

Convém mencionar também a 21ª edição do reality show, Big brother Brasil, que trouxe um novo marco: o programa com maior número de participantes não brancos nesses 21 anos — nove de 20 brothers. Além da representatividade, validaram um outro fator: não é porque os novos BBBs são negros, que necessariamente pensam igual. Afinal, pessoas diferentes têm comportamentos e posicionamentos diferentes. Assim, é relevante promover a importância da representatividade para normalizar a diversidade.

Esta questão é tão enraizada, que, muitas vezes, os nossos erros com relação à representatividade não são deliberados. São detalhes tão sutis, que podemos cometê-los mesmo de forma inconsciente, sem perceber que estamos segregando grupos e excluindo pessoas. Podemos incorrer nestes erros por ações, ou até mesmo por omissões, de maneiras, às vezes, não tão claras. Ao invés de valorizar a igualdade, poderíamos valorizar a pluralidade histórico-cultural e fenotípica, as quais constituem a nossa sociedade brasileira.

Por isso, aumentar a representatividade requer um esforço consciente, um cuidado adicional ao falar, ao manifestar ideias e ao agir em sociedade. É um processo contínuo de olhar, reconhecer e acolher o outro, tal como queremos (e precisamos) ser reconhecidos. Em 1 Pedro 2:17, está escrito: Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.

Nesse sentido, a representatividade é uma importante aliada tanto na construção da autoestima, que é o valor que cada pessoa atribui de si mesma, quanto da percepção e da aceitação de sua aparência, habilidades e conduta. Ela pode nos ajudar a fazer escolhas mais assertivas, não só na área pessoal, mas também profissional, contribuindo para termos relacionamentos mais saudáveis (com nós mesmos e com os outros). Assim como Jesus nos ensinou em Mateus 22:39 – amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Diante disso, a psicologia tem um papel importante nesse movimento de busca pela representatividade, compreendendo seus desdobramentos emocionais, sem jamais deslegitimar o sofrimento decorrente da falta de inclusão. Em nosso código de ética, seu primeiro princípio fundamental diz: o psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ou seja, os psicólogos devem atuar com uma escuta capacitada e acolhedora, compreendendo que a exclusão pode, sim, causar adoecimento psicológico.

Por fim, conte comigo nesta jornada. A psicoterapia percorre um caminho de cura e de acolhimento emocional. E, mais do que isso, pode ajudar você a encontrar sua própria voz para ocupar melhor seu espaço na família, nos seus grupos de convívio e na sociedade como um todo.

Para inspirá-lo na busca da sua representatividade, gostaria de indicar o documentário da Netflix: I Am– você tem o poder de mudar o mundo. Neste documentário reflexivo, o cineasta Tom Shadyac conversa com filósofos e líderes espirituais sobre as aflições do mundo e como transformá-lo em um lugar melhor.

“A vida é a representação de uma orquestra, cada qual toca a nota de sua missão para How to take Halotestin compor a harmonia divina regida pelo maestro Jesus”  Valci R. Teodoro.

Revisão de Texto: Prof.a. Vanessa Mozillo – @prof.vanessa.redacao

REFERÊNCIAS:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55747838

https://www.politize.com.br/representatividade/

https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/01/4902470-bbb-21-e-o-reality-show-brasileiro-com-maior-numero-de-participantes-negros.html

http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf

https://www.pensador.com/busca.php?q=representatividade

https://psicoposts.com.br/

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